Yellow Cake: ficção científica brasileira leva urânio, dengue e sertão para as telas

Novo filme de Tiago Melo, estrelado por Rejane Faria e Tânia Maria, acompanha um experimento secreto no sertão da Paraíba e chega aos cinemas brasileiros em novembro

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Michael Douglas

9/25/20264 min read

A ficção científica brasileira vai ganhar um novo representante nos cinemas em 2026. Yellow Cake, segundo longa-metragem de ficção dirigido por Tiago Melo, chega ao circuito comercial brasileiro em 26 de novembro, depois de passar por festivais no Brasil e no exterior. O filme parte de uma combinação pouco usual: um experimento envolvendo urânio, o combate ao mosquito Aedes aegypti e uma cidade do sertão da Paraíba como centro de uma história ambientada em um futuro próximo.

A trama se passa em Picuí, na Paraíba, onde um grupo de cientistas desenvolve um projeto secreto chamado Yellow Cake. A proposta é utilizar urânio extraído da própria região em um experimento destinado a esterilizar o Aedes aegypti, numa tentativa de conter a disseminação de doenças transmitidas pelo mosquito. No centro dessa pesquisa está Rúbia Ribeiro, uma física nuclear interpretada por Rejane Faria, conhecida por Marte Um.

O experimento, porém, não acontece como planejado. Quando o projeto fracassa, a situação sai de controle e Rúbia precisa lidar com as consequências ao lado de mineradores locais. A premissa coloca ciência, mineração, doenças e transformações provocadas pelo experimento dentro de uma narrativa de ficção científica que utiliza elementos fantásticos para falar de questões presentes no território brasileiro.

Uma ficção científica a partir do sertão

Um dos aspectos mais particulares de Yellow Cake está justamente no lugar escolhido para contar essa história. Em vez de transportar a ficção científica brasileira para uma metrópole futurista ou para um cenário internacional, Tiago Melo parte de Picuí e do sertão paraibano.

A região possui uma relação histórica com a mineração e com a presença de minerais como urânio, além de fazer parte do imaginário local relacionado a garimpos, contaminações e possíveis mutações. Esses elementos foram incorporados ao universo do filme. Na apresentação oficial de Yellow Cake, o diretor afirma que a intenção era olhar para o Brasil a partir de um futuro próximo sem abandonar questões que já fazem parte do presente, utilizando o sertão da Paraíba como espaço de pensamento e invenção, e não apenas como cenário.

Essa escolha também aproxima o filme de uma tradição da ficção científica que utiliza acontecimentos extraordinários para ampliar questões sociais e ambientais. No caso de Yellow Cake, o ponto de partida é bastante concreto: doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, mineração e exploração de recursos naturais. A partir daí, a história introduz o elemento especulativo e leva essas questões para um futuro próximo.

Rejane Faria e Tânia Maria no elenco

Além de Rejane Faria, o elenco conta com Tânia Maria, que ganhou destaque por sua participação em O Agente Secreto, e Valmir do Côco, que já havia trabalhado com Tiago Melo em Azougue Nazaré. Também participam Spencer Callaham, Alli Willow, Henry Jackelen, Wolfgang Pannek, Rosa Malagueta, Galeguinho e Severino Dadá, entre outros.

O filme tem 97 minutos e foi classificado como não recomendado para menores de 14 anos nas exibições do CineBH.

De Roterdã ao circuito brasileiro

Antes de chegar aos cinemas, Yellow Cake já percorreu um circuito internacional de festivais. A estreia mundial aconteceu no Festival Internacional de Cinema de Roterdã, em fevereiro de 2026, onde o longa participou da competição Tiger e foi o único filme brasileiro selecionado para essa mostra naquele ano. O festival marcou também o retorno de Tiago Melo ao evento que havia premiado seu primeiro longa, Azougue Nazaré, com o Bright Future Award, em 2018.

No Brasil, a primeira exibição aconteceu no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, em junho, onde Yellow Cake abriu a programação do festival. O longa também passou pelo Los Angeles Latino International Film Festival, nos Estados Unidos, e pelo Bildrausch Filmfest Basel, na Suíça.

O circuito continua nas próximas semanas. O filme está programado para festivais como o Festival Internacional de Cine de la UBA, na Argentina, o Sitges Film Festival, na Espanha, e o CineEco Seia, em Portugal. Também participa do CineBH, em Belo Horizonte.

O segundo longa de Tiago Melo

Yellow Cake é o segundo longa-metragem de ficção de Tiago Melo. Seu primeiro filme, Azougue Nazaré, também estreou no Festival de Roterdã e recebeu o prêmio Bright Future em 2018. Antes de Yellow Cake, Melo ainda havia dirigido o curta-metragem Urânio Picuí, lançado em 2012, que já estabelecia uma relação com a cidade e com o imaginário mineral que agora retorna em seu novo longa.

A produção reúne Lucinda Filmes, Urânio Filmes e Jaraguá Produções, com coprodução da Cinemascópio e da Olhar Filmes. A distribuição nos cinemas brasileiros será realizada pela Olhar Filmes. O roteiro é assinado por Amanda Guimarães, Anna Carolina Francisco, Gabriel Domingues, Jeronimo Lemos e Tiago Melo.

Com Yellow Cake, a ficção científica brasileira encontra uma premissa que mistura problemas reconhecíveis do presente com uma situação impossível de existir exatamente daquela maneira. O resultado parte do sertão para discutir ciência, mineração, doenças e as consequências de uma experiência que deveria resolver um problema, mas acaba criando outro. Para quem acompanha a produção nacional de ficção científica, o filme chega aos cinemas em 26 de novembro de 2026.

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