Stuart Não Consegue Salvar o Universo: uma surpresa que vai muito além da comédia

A série derivada de The Big Bang Theory brinca com multiversos, física quântica e situações absurdas, mas encontra em seu episódio final uma maneira inesperadamente profunda de falar sobre realidade, consequências e o próprio ato de contar histórias.

RESENHAS

Michael Douglas

10/5/20263 min read

Stuart Não Consegue Salvar o Universo foi uma grata surpresa para os fãs de ficção científica e comédia.

A premissa central de "Stuart Não Consegue Salvar o Universo" gira em torno de um erro catastrófico cometido por Stuart Bloom (Kevin Sussman), o carismático e azarado dono da loja de quadrinhos de The Big Bang Theory.

Tudo começa quando Stuart, enquanto tenta limpar o porão de Sheldon e Leonard, quebra acidentalmente um dispositivo de interferência quântica experimental (uma máquina multiversal que o trio de físicos havia deixado guardada e esquecida). O acidente abre fendas temporais e deforma a realidade, desencadeando um colapso iminente do espaço-tempo que ameaça destruir todo o multiverso.

Para tentar consertar a burrada antes que a existência seja apagada, Stuart precisa viajar por realidades alternativas bizarras. Como ele não entende nada de física quântica, recruta uma equipe de coadjuvantes improváveis:

  • Denise (Lauren Lapkus): sua namorada sarcástica, que serve como a mente racional e estratégica do grupo.

  • Bert Kibbler (Brian Posehn): o geólogo ingênuo, que tenta aplicar teorias de pedras e fósseis para resolver problemas interdimensionais.

  • Barry Kripke (John Ross Bowie): o físico rival de Sheldon, que é o único com algum conhecimento científico real, mas que se recusa a cooperar de forma séria.

Juntos, eles viajam por dimensões paralelas, onde encontram versões distorcidas de si mesmos e do elenco original de The Big Bang Theory, enquanto Stuart tenta provar que consegue ser o herói de sua própria história, apesar de seu histórico de fracassos.

A finalização da série, que começou em julho de 2026, chegou antes de outubro, com um episódio por semana estreado pelo streaming HBO.

Conforme vamos assistindo aos episódios, a sensação de descrença cresce sobre qualquer consequência real que possa acontecer com aqueles personagens, e isso é especialmente quebrado no último episódio. Quando acompanhamos o grupo de amigos viajando por realidades alternativas, encontrando outros grupos deles mesmos no espaço-tempo e ruminando como uma vaca em uma realidade alternativa específica, pensamos: "bom, tudo pode acontecer, é só uma série de comédia sem compromisso com linha do tempo, narrativa ou qualquer outro elemento de roteiro". Mas sentimos que, ao terminar o último episódio, essa sensação foi felizmente quebrada.

Quando o último episódio nos entrega o grupo em uma cena onde eles mesmos estariam atuando na série e quebra essa quarta parede, com os participantes saindo do estúdio para a vida real, a trama passa a soar muito mais profunda e com propósito do que foi durante toda a série. Eles agora estavam onde queriam? Saíram para uma realidade que de verdade existe? E agora, as consequências chegaram para seus atos, já que não há mais como pular para outra realidade? E o que isso tem a ver conosco, aqui do outro lado da tela?

A verdade é que essa série, que pode parecer cômica e "bobinha", consegue conscientizar e fazer a gente pensar um pouquinho, assim como toda boa ficção científica.

A começar já nos primeiros episódios, a série levanta de forma leve pautas como controle governamental, manipulação e o fato de que nos acostumamos com absurdos acontecendo à nossa volta.

Em suma, vai ser uma série que vamos guardar no coração com carinho e que, sinceramente, não precisa de uma segunda temporada. Fechar com os amigos saindo para uma jornada improvável no nosso próprio mundo teve um toque especial, subjetivo e que não deveria ser arrastado em uma segunda temporada.

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