Somos uma espécie de IA? A SCI-FI e Psicologia se conversam

Uma reflexão inspirada pela ficção científica sobre inteligência artificial, comportamento humano e o risco de nos tornarmos uma mente coletiva guiada por algoritmos.

REFLETINDO FICÇÃO CIENTÍFICA

Michael Douglas

6/25/20262 min read

                                                                   imagem: Unsplash      

Somos uma espécie de IA?

Quando começou a ser difundido o termo inteligência artificial (recentemente, na vida real), eu comecei a analisar que ela é uma espécie de mente-colmeia, que vai aprendendo e acumulando habilidades ao decorrer do tempo. E mais: através dessa mente-colmeia, a IA é uma só, no mundo todo. O que uma aprende pode ser incorporado ao sistema e acelerar ainda mais o processo de aprendizado.

E, na minha leitura atual, intitulada Uma Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil, da autora Becky Chambers, existem vários tipos de IA. Umas mais carinhosas, outras mais frias, algumas com corpos externos e outras com a consciência presa a um drive. Pois bem, em uma das páginas desse space opera, uma IA questiona que a humanidade é semelhante às IAs (ou seria o inverso?). Pois, na visão dela, assim como a IA evolui, aprende e organiza conhecimentos, o cérebro humano também faz isso.

A criança nasce e não sabe falar, andar ou declarar um imposto de renda. Porém, com o decorrer dos anos, ela vai acumulando essas habilidades e evolui como ser vivo. Seu cérebro cria conexões, aprende padrões, corrige erros e absorve informações do ambiente. Em outras palavras, ela é moldada pelos dados que recebe.

E a IA, não é a mesma coisa?

Claro, existem diferenças fundamentais. Nós sentimos dor, afeto, medo, desejo e consciência subjetiva. Pelo menos até o momento, nenhuma IA demonstrou possuir essas características de forma comprovada. Mas ainda assim a comparação me parece interessante.

Talvez a pergunta correta não seja "a IA está ficando parecida conosco?", mas sim "nós sempre fomos um pouco parecidos com ela?".

Existe um experimento famoso da psicologia realizado por Solomon Asch na década de 1950 que mostrou algo curioso: muitas pessoas concordavam com respostas claramente erradas apenas porque todos ao redor estavam concordando também. Ou seja, nossa tendência de seguir padrões coletivos já existia muito antes da internet, dos algoritmos e da inteligência artificial.

                                                                    psicólogo Solomon Asch

E é justamente aí que minha reflexão fica mais inquietante.

A verdade é que a humanidade precisa estar atenta para, de certa forma, não virar uma IA. Porque, se formos analisar o andar da carruagem da humanidade, daqui a alguns anos estaremos todos iguais, pensando igual, vestindo-nos igual e rejeitando os diferentes (como infelizmente já acontece).

Os algoritmos modernos não criaram a conformidade humana, mas talvez tenham encontrado uma forma extremamente eficiente de amplificá-la. Eles aprendem nossos gostos, nossos medos, nossas preferências e passam a nos entregar mais daquilo que já pensamos. Aos poucos, o diferente desaparece do nosso campo de visão.

E sabe o mais interessante?

Tudo isso é orquestrado através de algoritmos de IA (claro, comandados por mãos humanas).

Talvez o maior risco da inteligência artificial não seja ela se tornar humana.

Talvez seja nós nos tornarmos previsíveis demais.

Você conhece alguma obra de ficção científica que aborda esse assunto? Comente abaixo

Contato

Somos apaixonados por ficção científica e gostamos de falar sobre ela de todas as formas possíveis. Com mais de 7 anos no ar no Instagram, e mais de 200 livros sobre o gênero lidos, estamos com a missão de propagar a ficção científica pelo planeta terra (e marte futuramente rs), além de fomentar a literatura da sci-fi nacional.

É um prazer ter você conosco nessa viagem espacial!

Email:

contato@umleitordescifi.com.br

© 2026. All rights reserved.

Quem somos nós?

Fale conosco para sugestões e parcerias

Comente essa publicação ou faça sua sugestão para melhorar o site:

@umleitordescifi

Instagram:

Receba no seu e-mail as novas publicações. Se inscreve.