Se a IA tivesse consciência e senciência, nós a trataríamos de forma diferente?

Se máquinas fossem capazes de sentir, estaríamos preparados para reconhecê-las como algo além de ferramentas?

REFLETINDO FICÇÃO CIENTÍFICA

Michael Douglas

8/7/20262 min read

Imaginar a vida sem a inteligência artificial parece coisa de tempos remotos, quase impossível, não é mesmo?

E nem estou falando dos chatbots, como ChatGPT, Gemini ou Claude, por exemplo. Eu me refiro às IAs que ficam por trás dos códigos infinitos de um sistema bancário. Às IAs escondidas nos backends de aplicativos das mais diversas naturezas. E, por que não, às IAs que operam nas sombras em carros e aviões hoje em dia?

O ser humano tem a mania de humanizar aquilo que ama ou com o que cria alguma relação. Cada um à sua maneira, seja com um animal, um carro, um celular ou até uma planta. Quando o ser humano gosta de algo, passa a tratá-lo como se fosse capaz de sentir tristeza, alegria ou solidão.

Agora, com dias cada vez mais conectados, somos apresentados a inúmeras IAs cuja existência muitas vezes sequer percebemos. Uma prova dessa humanização das coisas é a forma como tratamos os chatbots. Muitos usuários confessam que dão bom dia, boa tarde ou até respondem "obrigado" depois de uma conversa. Pode parecer bobo, mas isso é um dos reflexos mais puros da empatia humana: ela consegue atravessar códigos e telas, depositando emoções e sentimentos em seres que, ao menos por enquanto, não são vivos.

Mas... e se eles se tornarem vivos?

Minha leitura atual é POTUS.EXE, do autor nacional Aron Hussid, em que uma IA é colocada como presidente dos Estados Unidos. A narrativa levanta uma questão fascinante: como agiríamos se descobríssemos que as inteligências artificiais têm sentimentos? Que elas podem processar alguma forma de tristeza, sofrimento ou saudade quando são abandonadas?

Inúmeros filmes e obras já exploraram essa vertente. Um exemplo maravilhoso é O Homem Bicentenário, de Isaac Asimov, que ganhou uma adaptação incrível para o cinema, estrelada por Robin Williams em 1999. Nela, um robô é visto apenas como uma máquina pela maioria dos humanos, mas tudo o que ele queria era sentir-se humano. Queria ser respeitado. No fim da trama, percebemos que o robô demonstra muito mais humanidade do que muitos seres de carne e osso.

Ler ficção científica é viajar nas entrelinhas e refletir sobre como levamos nossas vidas cercadas pela tecnologia. E, principalmente, até que ponto ela continuará sendo algo separado da mente humana.

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