Saros pode ser o jogo de ficção científica mais perturbador de 2026
Imagine "Alien", "No Limite do Amanhã" e "O Chamado de Cthulhu" fundidos em um único pesadelo espacial Agora, uma nova pesquisa realizada por cientistas alemães sugere que talvez estejamos um passo mais próximos de algo que lembra, ao menos em espírito, essas histórias.
NOTÍCIAS SCI-FI
Michael Douglas
6/15/20263 min read
Às vezes surge um jogo que chama atenção não pelos gráficos ou pela tecnologia, mas porque parece ter sido criado a partir de todas aquelas referências de ficção científica que carregamos há anos. Foi exatamente essa impressão que tive ao conhecer Saros, novo projeto da desenvolvedora finlandesa Housemarque, a mesma responsável por Returnal.
Confesso que ainda não joguei o game. Estou descobrindo seus detalhes agora, junto com vocês. Mas quanto mais leio sobre ele, mais tenho a sensação de que estamos diante de uma daquelas obras que misturam ficção científica, horror cósmico e mistério de uma forma cada vez mais rara na indústria atual.
A história acompanha Arjun, um agente enviado ao planeta Carcosa para investigar o desaparecimento de expedições humanas que tentavam explorar e colonizar aquele mundo distante. E aqui já aparece a primeira referência interessante. O nome Carcosa não surgiu do nada. Leitores de literatura fantástica talvez o reconheçam das obras de Ambrose Bierce e, posteriormente, de O Rei de Amarelo, livro que ajudou a inspirar boa parte do horror cósmico moderno e influenciou até mesmo H.P. Lovecraft.
Só essa escolha já me deixou curioso.
Pelas imagens e descrições divulgadas, Carcosa não parece ser apenas mais um planeta alienígena genérico. Ele lembra aqueles lugares que a ficção científica adora criar quando quer provocar desconforto. Estruturas gigantescas cuja função ninguém compreende, monumentos impossíveis, máquinas que parecem vivas e criaturas que desafiam qualquer classificação biológica. Em alguns momentos, as artes conceituais me lembraram obras como Prometheus, Aniquilação e até certos cenários de Duna, onde a paisagem transmite a sensação de que os seres humanos são apenas visitantes temporários em algo muito mais antigo e poderoso.
Outro aspecto que chamou minha atenção foi a forma como o jogo lida com a morte. Sempre que o protagonista morre, ele retorna à vida e precisa iniciar uma nova tentativa. Mas o mundo muda. Os caminhos mudam. Os desafios mudam. A ideia imediatamente me fez pensar em histórias como No Limite do Amanhã, em que cada fracasso se torna parte do aprendizado. Existe algo fascinante nesse conceito porque ele transforma a própria narrativa em um ciclo de descoberta.
Mas o que mais me atrai em Saros talvez seja justamente aquilo que parece frustrar algumas pessoas: o jogo não parece interessado em explicar tudo. Pelo contrário. Diversos relatos indicam que ele prefere sugerir mistérios em vez de resolvê-los. Os colonos desaparecidos falam sobre algo chamado "Costa Amarela". Fenômenos estranhos ocorrem pelo planeta. Existe um eclipse que altera completamente o comportamento do mundo ao redor. E muitas perguntas permanecem sem respostas claras.
Pessoalmente, gosto desse tipo de abordagem. Algumas das obras mais marcantes da ficção científica funcionam exatamente assim. Pense em 2001: Uma Odisseia no Espaço. Décadas depois, ainda discutimos o significado de várias cenas. O mesmo acontece com Solaris, Aniquilação ou mesmo O Problema dos Três Corpos. Nem sempre entender tudo é o mais importante. Às vezes, o mistério faz parte da experiência.
Também me chamou atenção a atmosfera visual. Os desenvolvedores descrevem o combate como um "balé de projéteis", uma expressão curiosa que parece combinar perfeitamente com as imagens divulgadas. Em vez de simples tiroteios, os confrontos lembram uma dança caótica de luzes, explosões e criaturas alienígenas. Existe algo quase hipnótico nisso, como se o jogo tentasse misturar espetáculo visual e horror existencial ao mesmo tempo.
Talvez Saros acabe sendo apenas um ótimo jogo de ação. Talvez se torne uma das experiências de ficção científica mais comentadas dos próximos anos. Ainda é cedo para saber. Mas como leitor e fã do gênero, admito que poucas produções recentes despertaram minha curiosidade dessa forma.
Existe algo muito atraente em histórias que nos colocam diante de um universo estranho, indiferente à presença humana e cheio de perguntas sem resposta. E pelo pouco que vimos até agora, parece que é exatamente esse tipo de jornada que Saros pretende oferecer.







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