Red Rising terá adaptação cinematográfica pela Paramount com diretor de Jogos Vorazes
Filme baseado no primeiro livro de Pierce Brown será dirigido por Francis Lawrence, cineasta conhecido por levar a distopia de Panem às telas. Roteiro ficará a cargo de Justin Rhodes, mas elenco e previsão de estreia ainda não foram divulgados.
NOTÍCIAS SCI-FI
Michael Douglas
10/18/20265 min read
A ficção científica distópica de Red Rising está a caminho dos cinemas. A Paramount Pictures adquiriu os direitos cinematográficos da obra de Pierce Brown e prepara uma adaptação do primeiro livro da saga, publicado originalmente em 2014. A novidade foi divulgada em 16 de outubro de 2026 pelo The Hollywood Reporter e repercutiu em veículos como TheWrap e Variety. O projeto terá Francis Lawrence na direção, cineasta que já trabalhou em diferentes filmes da franquia Jogos Vorazes.
Além de Lawrence, a produção conta com Justin Rhodes, responsável pelo roteiro, enquanto Pierce Brown participará como produtor executivo. A notícia marca uma nova tentativa de levar esse universo para as telas, depois de anos de desenvolvimento e de planos anteriores que não chegaram a se concretizar.
O que já foi confirmado sobre o filme
Até o momento, as informações divulgadas apontam para uma adaptação cinematográfica do primeiro volume, Red Rising, conhecido no Brasil como Fúria Vermelha. A Paramount adquiriu os direitos para o projeto, Francis Lawrence está associado à direção e Justin Rhodes escreverá o roteiro. Lawrence e Cameron MacConomy produzirão o longa pela About.Blank, ao lado de Francesco Goedhuis. O próprio Pierce Brown será produtor executivo.
A escolha de Lawrence chama a atenção pela experiência do diretor com histórias distópicas. Ele comandou quatro filmes da franquia Jogos Vorazes e também trabalhou em outras adaptações literárias, incluindo A Longa Marcha, de Stephen King. Sua participação coloca o projeto nas mãos de um cineasta familiarizado com sociedades autoritárias, disputas de poder e protagonistas envolvidos em sistemas de violência e controle.
Justin Rhodes, por sua vez, ficará responsável por transformar o primeiro romance em roteiro cinematográfico. O roteirista também trabalhou com Lawrence no desenvolvimento de uma adaptação do jogo BioShock, projeto que não chegou a ser produzido. Pierce Brown acompanhará a nova versão como produtor executivo, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre seu envolvimento criativo no desenvolvimento do filme.
O que ainda não foi divulgado
Apesar da confirmação dos principais nomes envolvidos, o projeto ainda tem muitas informações em aberto. Até 17 de outubro de 2026, não havia anúncio oficial de elenco, data de início das filmagens, previsão de estreia, orçamento ou detalhes sobre a equipe técnica completa.
Também não foram divulgadas informações suficientes para determinar como o roteiro adaptará os acontecimentos do livro, quais personagens terão maior destaque ou quanto da construção política e social da saga será explorado no longa. A confirmação de uma adaptação do primeiro volume não significa, por si só, que os demais livros já tenham filmes garantidos.
Por isso, ainda é cedo para afirmar quando veremos Darrow nos cinemas ou como a produção representará visualmente a sociedade dividida por cores criada por Brown. O que existe, neste momento, é um projeto anunciado com estúdio, diretor, roteirista e produtor executivo definidos, mas sem cronograma público de lançamento.
A sociedade de Red Rising: uma distopia construída sobre castas
Publicado originalmente em 2014, Red Rising apresenta um futuro no qual a humanidade colonizou outros planetas e organizou a sociedade em uma rígida hierarquia de cores. Cada cor corresponde a uma posição social e a uma função dentro desse sistema, que concentra privilégios e poder nas mãos de uma elite.
A história acompanha Darrow, um jovem pertencente aos Vermelhos, a camada mais baixa dessa estrutura. Em Marte, ele trabalha nas minas, acreditando que seu esforço contribui para preparar o planeta para a sobrevivência e a expansão da humanidade. A realidade, porém, é muito diferente daquela que lhe foi apresentada. Ao descobrir a dimensão da mentira que sustenta sua existência, Darrow passa a questionar a sociedade em que vive e se envolve em uma luta para derrubá-la.
Para se aproximar dos Ouros, a classe dominante, ele precisa passar por uma transformação física e assumir uma identidade que lhe permita entrar no mundo daqueles que governam. Sua trajetória combina infiltração, competição, violência, estratégia e disputas políticas, em uma narrativa que utiliza a ficção científica para discutir desigualdade, exploração e os mecanismos que mantêm uma elite no poder.
A série também incorpora referências à mitologia romana, especialmente na linguagem, nos nomes e na organização política de seu universo. Essa mistura de elementos clássicos com tecnologia futurista ajuda a construir uma sociedade que se apresenta como grandiosa e civilizada, mas depende da exploração de grande parte de sua população para continuar funcionando.
Por que Red Rising pode interessar aos leitores de ficção científica política?
O interesse de Red Rising vai além da aventura de um protagonista que tenta sobreviver em um ambiente hostil. A divisão da humanidade em castas transforma a própria estrutura social em um dos principais conflitos da narrativa. A posição de cada indivíduo é determinada por um sistema que naturaliza privilégios, restringe oportunidades e apresenta a desigualdade como parte da ordem estabelecida.
Esse aspecto aproxima a obra de uma tradição importante da ficção científica distópica: histórias que imaginam sociedades futuras para examinar problemas que também existem no presente. Em vez de utilizar o avanço tecnológico apenas como cenário, Brown constrói um universo no qual a colonização espacial convive com formas extremas de exploração e dominação.
A trajetória de Darrow também permite explorar uma questão política central: o que acontece quando alguém descobre que a sociedade em que vive foi construída sobre uma mentira? A partir dessa descoberta, a história passa a envolver não apenas a resistência individual, mas também os custos da revolução, a disputa pelo poder e as contradições de tentar destruir um sistema sem reproduzir sua violência.
Para quem gosta de obras como Jogos Vorazes, Duna e outras narrativas de ficção científica marcadas por conflitos de classe, estruturas autoritárias e disputas entre grupos políticos, Red Rising pode despertar um interesse especial. A comparação, evidentemente, não significa que as obras sejam iguais, mas ajuda a situar o tipo de conflito que torna a saga atraente para leitores do gênero.
A adaptação cinematográfica terá o desafio de apresentar não apenas as competições e os confrontos que movimentam a trama, mas também as estruturas sociais que dão significado a eles. A hierarquia de cores, a exploração dos Vermelhos e os privilégios dos Ouros são fundamentais para entender por que a jornada de Darrow representa algo maior do que uma luta pela sobrevivência.
Por enquanto, a participação de Francis Lawrence oferece um ponto de conexão com outra grande distopia adaptada para o cinema. Resta saber como o diretor e o roteirista traduzirão a escala política, a mitologia e a violência desse universo para a linguagem cinematográfica. Com os direitos nas mãos da Paramount e Pierce Brown envolvido como produtor executivo, Red Rising inicia uma nova etapa de seu caminho para as telas, mas ainda sem data para chegar aos cinemas.




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