Por que O Dia das Trífides é considerado um clássico? Eu pesquisei e vim contar para vocês.

Antes de começar a leitura do mês do Páginas Elétricas, resolvi fazer uma pergunta simples: por que O Dia das Trífides é considerado um clássico? Ainda não li o livro, então este texto não é uma resenha. É uma investigação baseada em críticas, análises literárias e na influência que a obra exerceu sobre a ficção científica.

REFLETINDO FICÇÃO CIENTÍFICA

Michael Douglas

7/7/20264 min read

Existe um momento na vida de todo leitor de ficção científica em que alguns títulos começam a aparecer em todos os lugares.

Você vê o mesmo livro em listas de "obras essenciais", em recomendações de autores, em discussões sobre o gênero e até nas referências de filmes e séries que você já conhece.

Comigo aconteceu com O Dia das Trífides, de John Wyndham.

Como ele é a leitura deste mês do nosso clube de leitura, o Páginas Elétricas (se você deseja entrar nesse CL é só comentar abaixo que te chamo no whatsapp), resolvi fazer uma coisa que gosto muito antes de começar um clássico: pesquisar por que ele ganhou esse status.

Quero deixar claro desde o início: eu ainda não li o livro. Então este não é um texto dizendo se ele é bom ou ruim. É um compilado do que descobri pesquisando sobre sua importância para a ficção científica. A ideia é entender por que, passados mais de 70 anos desde sua publicação, tanta gente ainda fala dele.

E a resposta me surpreendeu.

O livro mudou o foco das histórias de fim do mundo

Hoje estamos acostumados com narrativas pós-apocalípticas. Mas, pesquisando sobre O Dia das Trífides, descobri que John Wyndham foi um dos primeiros autores a colocar o foco não na catástrofe, mas na sociedade depois dela.

Em vez de gastar páginas mostrando o desastre acontecendo, o romance se pergunta: como reconstruir uma civilização quando ela já caiu?

Essa estrutura acabou influenciando boa parte das histórias pós-apocalípticas que vieram depois. Críticos apontam justamente esse aspecto como um dos grandes motivos para o livro permanecer relevante até hoje.

Talvez você já conheça uma das cenas mais famosas... sem saber

Uma das coisas mais curiosas que encontrei durante a pesquisa foi descobrir que a famosa cena do protagonista acordando em um hospital enquanto o mundo já acabou não nasceu em The Walking Dead.

Nem em Extermínio (28 Days Later).

Ela já estava em O Dia das Trífides, publicado em 1951.

É difícil afirmar que toda obra posterior copiou Wyndham, mas existe um consenso entre críticos e leitores de que essa abertura ajudou a estabelecer um modelo narrativo que seria repetido inúmeras vezes nas décadas seguintes.

As plantas assassinas não parecem ser o verdadeiro assunto

Se você nunca leu o livro (como eu), provavelmente conhece apenas a premissa: plantas gigantes capazes de se locomover e matar pessoas.

Mas praticamente todas as análises que encontrei dizem a mesma coisa.

As trífides são memoráveis, claro, mas não são o centro da história. O verdadeiro interesse de Wyndham está em observar como uma sociedade reage quando perde suas estruturas básicas.

Quem assume o poder?

Como produzir alimentos?

O que acontece com a moral quando sobreviver passa a ser a prioridade?

Segundo críticos, o romance é muito mais sobre pessoas do que sobre monstros. As trífides funcionam quase como o gatilho para discutir temas sociais, políticos e filosóficos.

Um livro de 1951 discutindo temas que continuam atuais

Outro ponto que apareceu diversas vezes foi a leitura das trífides como consequência da arrogância humana.

Há interpretações que enxergam nelas uma metáfora para experimentos científicos, manipulação da natureza e para a ideia de que a humanidade acredita controlar processos que, na verdade, podem sair completamente do seu domínio.

Achei interessante perceber como essas discussões continuam atuais.

Mudanças climáticas. Engenharia genética. Dependência tecnológica. Fragilidade da civilização.

É curioso pensar que um romance publicado no início da Guerra Fria ainda consiga dialogar com preocupações do século XXI.

Então por que ele virou um clássico?

Depois de toda essa pesquisa, minha impressão é que O Dia das Trífides não virou clássico porque tem plantas assassinas, mas sim porque ajudou a criar uma forma diferente de contar histórias pós-apocalípticas.

Ele influenciou estruturas narrativas que usamos até hoje, deslocou o foco do desastre para o comportamento humano e mostrou que a ficção científica podia discutir sociedade, política e ética sem perder o senso de aventura.

Se tudo isso aparece na prática durante a leitura...

Bom, isso eu ainda vou descobrir.

E talvez essa seja justamente a parte mais divertida de participar de um clube de leitura.

Agora começo o livro sabendo que ele carrega um peso enorme dentro da história da ficção científica. Resta descobrir se, como leitor de 2026, vou sentir esse impacto da mesma forma que tantos leitores sentiram desde 1951.

Quando terminar a leitura, volto aqui para contar se o clássico realmente fez jus à fama.

Fontes consultadas

  • Barry Langford, introdução e análise de The Day of the Triffids, destacada pelo The Guardian, sobre os temas darwinistas, a crítica ao progresso humano e a permanência da obra.

  • The Guardian – Don't Ignore the Invisible Man (2003), artigo sobre a importância de John Wyndham e a influência de seus romances na ficção científica moderna.

  • Página de referência dedicada à obra e ao autor, com informações sobre contexto, recepção e impacto cultural.

  • Análise acadêmica da Universidad Complutense de Madrid (2024), que discute o papel das trífides como símbolo da natureza e sua importância dentro do cânone da literatura fantástica.

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