O SILÊNCIO DO CRIADOR: Um conto espacial nacional angustiante
Um conto de apenas cinco páginas que discute identidade, livre-arbítrio e o peso de decidir o futuro da humanidade.
RESENHAS
Michael Douglas
8/8/20262 min read
Quando eu comecei a ler esse conto, imediatamente me veio à mente uma mistura de Alien: O Oitavo Passageiro com Devoradores de Estrelas.
Uma mulher (não posso nem dizer se é astronauta ou civil) acorda em uma espécie de nave espacial, sem lembrar de absolutamente nada, com apenas uma voz digital em sua mente: Iara.
Iara é uma IA que guia os primeiros passos de Lena logo após seu despertar.
Como Lena não tem memórias — ou, no máximo, alguns fragmentos completamente confusos — ela decide que seguir aquelas orientações é a coisa certa a fazer. E isso me deixou com uma coceira atrás da orelha, porque essa questão da memória é algo em que venho pensando há algum tempo. A memória forma nossa personalidade. Sem ela, continuamos sendo a mesma pessoa?
E essa ausência de memória impacta diretamente o desenvolvimento da personagem e da trama. Afinal, o que seria o certo a fazer quando você nem sabe quem é?
Essa questão abre espaço para discutir um dos temas mais frequentes da ficção científica: a dualidade entre manipulação e confiança.
A relação de confiança — e, ao mesmo tempo, de desconfiança — entre Lena e Iara é um dos pontos mais fortes do conto. Com as memórias da protagonista fragmentadas, ela se questiona várias vezes se seus pensamentos, suas ideias e seus sentimentos realmente são dela ou se foram, de alguma forma, implantados pela voz que ecoa em sua mente. E já posso adiantar: essa dúvida é crucial para o final impactante da obra.
Como se não bastasse a angústia de não saber quem é, onde está ou o que está acontecendo, Lena ainda precisa lidar com uma situação completamente bizarra: milhares de fetos, crianças, adultos e idosos flutuam em uma solução conservadora, armazenados em uma espécie de fazenda biológica. Foi aqui que, por algum motivo, eu lembrei de Alien. Talvez pelas cenas de laboratório, com espécimes preservados em enormes recipientes cheios de líquido.
Diante dessa visão, Lena precisa tomar uma decisão: deixar aquelas pessoas viverem ou acabar com tudo de uma vez. E o motivo que leva a esse dilema é de uma sutileza absurda.
O conto se passa em um ambiente frio, metálico e claustrofóbico, repleto de dutos que lembram veias e luzes de emergência que mal conseguem iluminar os corredores. O contraste entre a escala monumental da estação — com suas torres aparentemente infinitas de corpos — e a solidão de Lena cria um impacto visual e sensorial que enriquece muito a história.
A nave funciona como uma espécie de arca, carregando milhares de seres humanos preservados para uma segunda chance. Mas cabe justamente a Lena decidir se essa arca continuará sendo um símbolo de salvação ou se, pelas próprias mãos da protagonista, se tornará o palco da extinção definitiva da humanidade.
Abordando temas como existencialismo, identidade e o verdadeiro livre-arbítrio, Aron Hussid consegue provocar o leitor em apenas cinco páginas.
O Silêncio do Criador, de Aron Hussid, já está disponível aqui mesmo no nosso site, na aba Contos.
Ou, se preferir, clique aqui para ir direto para a página do conto e baixar gratuitamente.
E depois volte para me contar o que achou. Quero muito saber se esse final mexeu com você tanto quanto mexeu comigo.
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