O que a crítica especializada está falando sobre a segunda temporada de Matéria Escura

Série de ficção científica da Apple TV+ retorna mais ambiciosa e amplia seu multiverso, mas o excesso de realidades e versões dos personagens começa a dividir a crítica

NOTÍCIAS SCI-FI

Michael Douglas

9/12/20264 min read

A segunda temporada de Matéria Escura chegou à Apple TV+ em 28 de agosto de 2026 e levou a adaptação do livro de Blake Crouch para além dos acontecimentos apresentados no romance original. A nova temporada acompanha novamente Jason Dessen, interpretado por Joel Edgerton, Daniela, vivida por Jennifer Connelly, e Charlie, enquanto a família tenta encontrar um lugar seguro depois dos acontecimentos da primeira temporada. A produção tem dez episódios, lançados semanalmente.

A recepção da crítica especializada, até o momento, é majoritariamente positiva, mas as avaliações mostram diferenças importantes na maneira como os veículos estão enxergando a expansão da história. No Rotten Tomatoes, a segunda temporada aparece atualmente com 92% de aprovação da crítica, baseada em 24 avaliações, além de 90% de aprovação do público, embora o número de avaliações de espectadores ainda seja inferior a 50.

RogerEbert.com elogia a mudança de foco

Uma das avaliações mais positivas veio do RogerEbert.com. A crítica de Kaiya Shunyata afirma que a segunda temporada representa uma mudança importante em relação à primeira, deixando o multiverso menos concentrado na explicação científica e colocando os personagens no centro da narrativa.

Segundo a publicação, a série passa a explorar temas como humanidade, pertencimento e as consequências das transformações provocadas pela tecnologia. A crítica também destaca que personagens como Daniela, Ryan e Amanda recebem mais espaço e que a produção utiliza as diferentes realidades para desenvolver suas histórias pessoais.

O veículo também considera que a segunda temporada diminui alguns dos excessos presentes na primeira, incluindo o excesso de explicações relacionadas à física e às possibilidades do multiverso. Para a crítica, as diferentes versões dos personagens passam a funcionar melhor justamente porque a série dedica mais atenção às pessoas que existem dentro dessas realidades.

The Verge vê uma temporada mais complexa

A avaliação do The Verge segue uma direção diferente. O veículo reconhece que a segunda temporada aumenta as consequências emocionais da história e aprofunda o funcionamento do multiverso, mas aponta que a quantidade de personagens e versões alternativas torna a narrativa progressivamente mais difícil de acompanhar.

A crítica destaca que Jason, Daniela e Charlie passam a viajar por diferentes realidades enquanto novas versões de personagens conhecidos são introduzidas. A publicação também observa que saltos temporais e diferenças pequenas entre algumas dessas versões podem dificultar a identificação de quem é quem.

Ao mesmo tempo, o The Verge aponta que a série funciona melhor quando deixa de lado a quantidade de possibilidades do multiverso para contar histórias mais íntimas. Para o veículo, esses momentos ajudam a dar peso emocional aos personagens em meio à estrutura cada vez mais complexa da temporada.

Tom's Guide dá 3 de 5

O Tom's Guide foi mais crítico. A publicação deu 3 de 5 estrelas para a segunda temporada e descreveu a continuação como mais ambiciosa, mas também mais complicada.

A crítica destaca positivamente a construção de alguns mundos alternativos e o desenvolvimento dos personagens, especialmente Daniela. Jennifer Connelly também aparece entre os destaques da avaliação.

O problema apontado pelo veículo está na quantidade de versões dos personagens e na estrutura da narrativa. Para o Tom's Guide, algumas dessas versões não apresentam diferenças suficientemente claras, o que pode tornar a experiência confusa. A publicação considera que episódios independentes conseguem funcionar melhor justamente por reduzirem essa complexidade e permitirem maior desenvolvimento dos personagens.

IndieWire é ainda mais crítico

Entre as avaliações negativas está a da IndieWire. No agregador Rotten Tomatoes, a crítica de Ben Travers é resumida com uma avaliação bastante dura, mencionando problemas de estrutura, repetição da trama, falta de diversão e dificuldade para acompanhar os acontecimentos.

Essa avaliação contrasta diretamente com a do RogerEbert.com. Enquanto uma publicação considera que a segunda temporada encontrou uma maneira mais eficiente de trabalhar as diferentes versões dos personagens, a IndieWire entende que justamente essa expansão contribui para os problemas narrativos da produção.

O multiverso continua sendo o centro da discussão

As diferentes avaliações acabam convergindo em um ponto: a segunda temporada aumenta consideravelmente o espaço ocupado pelo conceito de realidades alternativas.

A própria narrativa passa a trabalhar com diferentes versões dos personagens e mundos que possuem histórias, tecnologias e circunstâncias próprias. No segundo episódio, por exemplo, a série apresenta uma realidade na qual o microchip nunca foi inventado e coloca diferentes personagens em situações que partem de acontecimentos históricos distintos. O episódio também acompanha personagens tentando utilizar conhecimentos e tecnologias de outras realidades para resolver problemas de seu próprio mundo.

É justamente essa expansão que produz avaliações diferentes entre os críticos. Para o RogerEbert.com, a quantidade de realidades funciona melhor porque a série passou a utilizá-las para falar principalmente dos personagens. Para The Verge e Tom's Guide, entretanto, o crescimento do número de versões e linhas narrativas aumenta a dificuldade de acompanhar a história.

Uma recepção positiva, mas com ressalvas

Até o momento, portanto, a segunda temporada de Matéria Escura possui uma recepção crítica predominantemente positiva no agregado, mas as análises individuais mostram que não existe consenso sobre a maneira como a série está utilizando seu multiverso.

Há críticos que consideram a expansão necessária para aprofundar personagens e temas como identidade, pertencimento, escolhas e perda. Outros entendem que o aumento das realidades alternativas, versões dos personagens e linhas narrativas torna a produção excessivamente complicada.

O resultado é uma temporada que está sendo analisada menos pela novidade do conceito de multiverso e mais pela maneira como a série consegue administrar as consequências de levar esse conceito ainda mais longe. A segunda temporada não está simplesmente repetindo a premissa apresentada anteriormente: ela está expandindo a história para além do material do livro e, justamente por isso, passou a ser avaliada também pela capacidade de sustentar essa nova estrutura narrativa.

Fontes principais da pesquisa: Rotten Tomatoes — Dark Matter: Season 2 · RogerEbert.com — Dark Matter Reinvents Itself With an Outstanding Second Season · The Verge — Dark Matter gets even trippier in season 2 · Tom's Guide — Dark Matter season 2 review

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