O Homem Invisível - HG WELLS
A invisibilidade pode não ser assim tão vantajosa.
RESENHAS LITERÁRIAS
5/9/20261 min read
O Homem Invisível — H. G. Wells
O que você faria se fosse invisível?
A invisibilidade é e sempre foi algo fascinante para a imaginação humana. A ciência estuda esse fenômeno há muito tempo, e já se pode dizer que obteve algum sucesso: existem aviões militares capazes de passar despercebidos por radares e até pelos olhos humanos.
Mas a verdade é que ser invisível pode não ser tão incrível assim.
O Homem Invisível, de H. G. Wells, conta a história de um misterioso homem envolto em ataduras e com roupas que cobrem todo o corpo. Com um nariz bastante peculiar, ele se hospeda sem dinheiro em uma pacata pousada em Iping, no interior da Inglaterra. Carregava algumas malas — dentro delas, poucas roupas, mas inúmeros livros, equipamentos e garrafas com materiais químicos.
A dona da pousada, intrigada com o estranho hóspede, começa a espiá-lo. Em um momento, entra sem avisar em seu quarto e se depara com bandagens sobre a mesa — e um homem sem cabeça sentado na cadeira.
A trama se desenrola a partir daí: o homem invisível, com um toque de loucura, inicia sua fuga enquanto busca a cura para sua condição. O livro tem um ar de suspense e até de terror, mas a ficção científica não tarda a aparecer — e quando aparece, Wells nos dá uma verdadeira aula de física ao explicar as causas da invisibilidade. Escrito em 1897, o livro surpreende pela profundidade científica.
Mas O Homem Invisível é, acima de tudo, uma metáfora sobre a solidão. Sobre o quanto podemos ser invisíveis mesmo estando cercados de pessoas. A trama nos ensina que nem sempre olhar é enxergar, e que ignoramos o próximo com uma facilidade assustadora.
No fundo, o homem invisível trocaria sua incrível habilidade pelo simples direito de ser considerado humano — de ser visto, respeitado e amado.
A solidão estava corroendo seu coração invisível.