Guerra do Amanhã: será que a viagem no tempo foi justamente a causa da invasão?

Um dos filmes de ficção científica mais divertidos dos últimos anos levanta paradoxos temporais que o roteiro nunca explica. Será que a própria viagem no tempo causou a invasão alienígena que tentava evitar?

RESENHAS

Michael Douglas

7/6/20263 min read

O filme Guerra do Amanhã serve como um ótimo entretenimento. Tem boas cenas de ação, um ritmo que prende e criaturas realmente assustadoras. Mas existe um problema que fica totalmente de escanteio: a explicação dos paradoxos da viagem no tempo. Na trama, viajantes do futuro interrompem a final da Copa do Mundo para dar uma mensagem chocante: daqui a 30 anos, uma espécie alienígena vai invadir a Terra e praticamente dizimar a humanidade. A missão deles é recrutar pessoas do passado para lutar nessa guerra.

De forma obrigatória, adultos que, segundo o futuro, morreriam antes daquele período são convocados para viajar no tempo e combater os alienígenas conhecidos como Garras Brancas.

Este texto contém spoilers. Então, se você ainda não assistiu ao filme, recomendo voltar aqui depois.

Nosso protagonista, Dan Forester, vivido por Chris Pratt (o Senhor das Estrelas de Guardiões da Galáxia), é um ex-militar convocado para lutar no futuro. Lá, ele conhece a comandante Muri Forester e rapidamente percebe, pelo sobrenome e por alguns detalhes, que ela é sua filha, agora adulta. Na sua linha do tempo, porém, ela ainda era apenas uma criança. Muri explica que a humanidade está desenvolvendo uma toxina capaz de exterminar os Garras Brancas. Segundo ela, restam apenas cerca de 500 mil sobreviventes no planeta.

Ao longo do filme, ela consegue concluir a toxina e envia o pai de volta ao passado para que ela seja produzida em larga escala. A ideia era simples: fabricar a arma, retornar ao futuro e finalmente acabar com a guerra.

Só que o portal temporal fica offline.

Antes de Dan voltar para sua época, Muri revela um detalhe importante: no futuro, ele acaba perdendo a família. Em algum momento da vida, abandona a esposa e a filha, destruindo completamente a relação que os dois tinham quando ela era criança.

Até aqui, tudo faz sentido.

Mas é justamente quando Dan retorna ao presente que, na minha opinião, começam os paradoxos.

Ele descobre que os alienígenas já estavam na Terra o tempo todo, presos em uma nave escondida sob o gelo, em uma região remota da Rússia.

Então surge a pergunta que o filme nunca responde.

Será que foi justamente a decisão de ir até essa nave que causou toda a tragédia?

Afinal, eles perfuram o gelo, entram na nave e tentam eliminar os alienígenas antes que despertem. Durante a operação, alguns conseguem escapar.

E se a invasão do futuro aconteceu justamente porque eles abriram aquele local?

Ou seja, e se a viagem no tempo criou o próprio problema que tentava impedir?

Outro ponto que me chamou atenção é a revelação de que Dan abandona a família anos depois.

O filme não explica por quê.

Mas, quando ele retorna do futuro, percebemos que está completamente abalado. Ele treme, demonstra sinais claros de trauma e parece profundamente afetado pela experiência. Será que esse trauma foi justamente o início da transformação que sua filha contou que aconteceria? Será que ele realmente se afastou da família por causa de tudo o que viveu naquela guerra?

O roteiro nunca responde.

E aí vem a pergunta que mais gosto de fazer:

Se ninguém tivesse viajado no tempo, será que nada disso teria acontecido?

Talvez a nave permanecesse enterrada no gelo por muito mais tempo. Talvez nunca fosse encontrada daquela forma. Ou talvez tudo acontecesse exatamente igual.

O filme simplesmente não explica.

No começo da história existe outro detalhe curioso.

Quando Dan é convocado, colocam nele um bracelete responsável pelo salto temporal. Sabendo que será enviado para o futuro, ele procura o pai, com quem mantém uma relação bastante distante, porque acredita que ele é a única pessoa capaz de remover aquela tecnologia e permitir que ele fuja com a família. Só que, depois de uma discussão entre os dois, Dan simplesmente desiste da ideia e aceita seu destino.

Claro... se eles resolvessem os problemas familiares logo de cara, provavelmente nem existiria filme.

No fim das contas, Guerra do Amanhã funciona muito bem como um filme de ação e ficção científica, mas deixa várias perguntas sem resposta quando o assunto é viagem no tempo. Talvez isso tenha sido proposital. Ou talvez o roteiro simplesmente tenha preferido focar na ação em vez de desenvolver as consequências dos paradoxos temporais.

E você?

Já assistiu Guerra do Amanhã? Acha que a viagem no tempo criou a própria invasão alienígena ou existe outra explicação?

Me conta nos comentários.

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