Ficção científica é coisa nossa: Bienal de São Paulo reúne autores para discutir os futuros imaginados pela literatura brasileira

Felipe Castilho, Jana Bianchi e Alê Santos se reúnem na 28ª Bienal do Livro de São Paulo para discutir como a literatura brasileira está criando seus próprios futuros, entre tecnologia, ancestralidade, cultura e ficção científica.

NOTÍCIAS SCI-FI

Michael Douglas

8/25/20263 min read

A ficção científica brasileira ganhará um espaço especial na programação da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. No dia 8 de setembro, das 17h15 às 18h15, a Arena Cultural receberá a mesa “Ficção científica é coisa nossa”, encontro que reunirá os escritores Felipe Castilho, Jana Bianchi e Alê Santos, com mediação da comunicadora e criadora de conteúdo literário Tamirez Santos.

A proposta do encontro parte de uma provocação simples, mas fundamental: durante muito tempo, a ficção científica foi associada principalmente a naves espaciais estrangeiras, grandes impérios galácticos, tecnologias futuristas e sociedades distantes. Mas quais futuros surgem quando essas histórias são imaginadas a partir do Brasil?

É justamente essa discussão que deve conduzir a conversa. A mesa pretende abordar como a literatura especulativa brasileira vem construindo seus próprios universos, incorporando elementos da cultura nacional, transformações tecnológicas, mitologias, ancestralidade e os desafios sociais que atravessam o país.

O encontro acontece em um momento particularmente interessante para a ficção científica nacional. Tanto Felipe Castilho quanto Jana Bianchi passaram a integrar o catálogo da Editora Aleph em 2026, aproximando dois autores brasileiros de uma das editoras mais tradicionais do país quando o assunto é ficção científica.

Castilho possui uma trajetória que atravessa a literatura fantástica, o folclore, os quadrinhos e a cultura pop. Seu trabalho transita pela fantasia urbana e pelo cyberpunk, frequentemente misturando elementos da mitologia brasileira com questões contemporâneas. Finalista do Prêmio Jabuti com Serpentário, o escritor chega à Aleph com A Besta, romance que trabalha conceitos de ficção científica e especulação tecnológica.

Jana Bianchi também tem uma trajetória consolidada dentro da ficção científica brasileira. Escritora, tradutora e editora, ela participou de projetos como a revista Mafagafo e o podcast Curta Ficção, além de atuar na construção de comunidades voltadas à literatura fantástica. Sua produção explora temas como senciência, biologia especulativa, tecnologia e as complexas relações humanas em cenários que desafiam os limites entre o possível e o imaginário.

Em 2026, Bianchi também passa a fazer parte do catálogo da Aleph com Uma Longa Órbita, obra que mergulha em um cenário de exploração espacial e combina elementos de astrobiologia, tecnologia e relações humanas. A chegada dos dois autores à editora representa um momento significativo para a ficção científica nacional e reforça o interesse crescente por histórias brasileiras dentro do gênero.

Alê Santos segue outro caminho dentro dessa mesma literatura especulativa. Reconhecido por combinar ficção científica e cultura afro-brasileira, o autor utiliza elementos de afrocentricidade, ancestralidade e resistência para construir futuros possíveis. Seu romance O Último Ancestral foi finalista do Prêmio Jabuti e do CCXP Awards, consolidando seu nome como uma das referências do afrofuturismo na literatura brasileira.

A presença dos três autores na mesma mesa permite observar diferentes maneiras de imaginar o futuro a partir do país. De um lado, estão a tecnologia, a inteligência artificial, a exploração espacial e a biologia especulativa. De outro, aparecem o folclore, a ancestralidade, as desigualdades sociais, a cultura brasileira e as experiências históricas que também podem servir como matéria-prima para construir mundos futuros.

Mais do que imaginar o que acontecerá daqui a cem ou mil anos, a ficção científica pode funcionar como uma ferramenta para questionar o presente. Que impacto as novas tecnologias terão sobre a sociedade brasileira? Como seriam futuros construídos a partir de referências culturais brasileiras? Que papel terão a ancestralidade e a memória na construção desses futuros? E, principalmente, quem está tendo a oportunidade de imaginar o amanhã?

É nesse ponto que a discussão proposta pela Bienal se torna especialmente relevante. A ficção científica não precisa necessariamente olhar para fora para encontrar inspiração. Ela também pode olhar para dentro e transformar o Brasil em ponto de partida para imaginar outros mundos, outras sociedades e outras possibilidades.

A mediação ficará a cargo de Tamirez Santos, criadora do Resenhando Sonhos, plataforma dedicada à literatura fantástica e à ficção científica. Apaixonada por worldbuilding e narrativas épicas, Tamirez também atua na curadoria de eventos literários e na aproximação entre autores, leitores e criadores de conteúdo.

Para os leitores brasileiros de ficção científica, a mesa representa uma das oportunidades mais interessantes da programação da Bienal. Especialmente porque reúne três autores que, cada um a seu modo, ajudam a responder à pergunta que dá nome ao encontro: afinal, como será a ficção científica quando o futuro também for imaginado por nós?

“Ficção científica é coisa nossa” acontece na terça-feira, 8 de setembro de 2026, das 17h15 às 18h15, na Arena Cultural, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi.

Para quem acompanha a produção nacional de ficção científica, fantasia, cyberpunk e afrofuturismo, é uma conversa que merece entrar no roteiro da Bienal.

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