“Ele” transforma a imortalidade em pesadelo em nova distopia brasileira de ficção científica
Em entrevista ao Um Leitor de Sci-fi, autor revela como uma cena envolvendo corrupção e uma estrutura de poder aparentemente intocável deu origem ao romance de 603 páginas
NOTÍCIAS SCI-FI
Michael Douglas
9/4/20264 min read
A humanidade venceu a morte. Mas, em “Ele”, novo livro brasileiro de ficção científica atualmente em pré-venda, a conquista da imortalidade está longe de representar o fim dos problemas humanos. Pelo contrário: em 2050, quando seres humanos transformados por uma cura mutagênica passam a dominar uma nova ordem mundial, algo começa a caçá-los.
Os imortais estão sendo assassinados.
Os corpos aparecem mutilados e nenhuma pista parece capaz de explicar quem está por trás dos crimes. Antes de morrer, uma das vítimas repete uma frase que se transforma em um aviso para o mundo: “Ele vem na escuridão da noite...”
Misturando ficção científica, suspense, horror, política e geopolítica, “Ele” apresenta uma distopia brasileira na qual a humanidade não precisa mais temer a morte, mas precisa descobrir o que acontece quando alguém ou alguma coisa decide devolvê-la ao mundo.
O Um Leitor de Sci-fi conversou com o autor para entender como nasceu a história, de que maneira a ciência participa da construção desse futuro e o que ele espera provocar em quem se aventurar pelas mais de 600 páginas do romance.
Tudo começou com uma cena
A origem de “Ele” é curiosa. De acordo com o autor, a ideia surgiu enquanto ele refletia sobre estruturas de poder abusivas que pareciam impossíveis de serem desmanteladas por meios burocráticos, jurídicos ou institucionais.
Foi então que surgiu uma cena.
Autoridades e gestores envolvidos em corrupção estão reunidos em um bar isolado no interior de uma grande floresta tropical. Cercados por luxo, seguranças particulares e policiais comprados com dinheiro público, eles se sentem completamente protegidos.
Até que um tiro é ouvido do lado de fora.
A princípio, o disparo provoca apenas tensão. Afinal, aquelas pessoas se consideram “intocáveis”. Mas a situação rapidamente se transforma em um pesadelo. Os seguranças desaparecem, os rádios deixam de funcionar, as luzes se apagam e gritos começam a ecoar pela floresta.
Um por um, os presentes desaparecem.
Na manhã seguinte, apenas um deles é encontrado vivo. Gravemente mutilado, ele repete incessantemente versos sobre uma figura misteriosa:
“Ele vem na escuridão da noite / Ele traz consigo o silêncio da morte / Ele porta a lâmina negra / Ele fede às cinzas do inferno”.
Foi dessa cena que nasceu “Ele”.
O que inicialmente era apenas uma imagem que permanecia na mente do autor acabou se transformando em um conto de aproximadamente dez páginas. Posteriormente, a história cresceu até se tornar o romance de 603 páginas que chega agora ao público.
Para o autor, o personagem que dá nome à obra também carrega uma dimensão metafórica: “Ele” representa um vingador sem nome disposto a enfrentar sozinho, se necessário, sistemas de poder abusivos.
A ideia central é justamente questionar a noção de que determinadas estruturas são fortes demais para serem derrubadas. Se indivíduos começarem a agir contra esses poderes, direta ou indiretamente, a estrutura pode perder sua sustentação e finalmente ruir.
Quando a ciência cria uma nova ordem mundial
Em nossa conversa, o autor também explicou que a ciência não funciona apenas como pano de fundo em “Ele”. Ela é, junto com a geopolítica, um dos pilares da narrativa.
A história se passa em 2050, em um mundo no qual uma cura mutagênica transformou milhares de pessoas em seres noturnos imortais. A descoberta não provoca apenas uma revolução biológica: ela altera completamente a organização política e social do planeta.
O Brasil ocupa uma posição central nesse novo cenário, apresentado como o berço e a potência hegemônica dessa nova ordem mundial.
A estrutura narrativa acompanha dois períodos diferentes. O primeiro é 2050, quando os massacres de imortais acontecem e autoridades e sociedade precisam lidar com o surgimento de uma ameaça aparentemente capaz de destruir aqueles que deveriam ser incapazes de morrer.
O segundo é 2027, apresentado como uma linha temporal que explica como o mundo chegou à realidade de 2050.
Assim, passado e futuro são narrados simultaneamente enquanto ciência e política ajudam a revelar como aquela sociedade foi construída.
Uma ficção científica que quer causar desconforto
Quando perguntado pelo Um Leitor de Sci-fi sobre o que espera que o público sinta durante a leitura, o autor foi direto: desconforto.
A sensação, entretanto, não estaria limitada às cenas violentas e explícitas presentes na história. O desconforto também viria dos próprios personagens e das escolhas morais apresentadas ao longo da narrativa.
“Ele” coloca o leitor diante de personagens descritos pelo autor como vis, individualistas e moralmente questionáveis. E existe um detalhe importante: nem sempre aqueles que agem de maneira condenável serão punidos.
Essa escolha aproxima a distopia de uma realidade muito mais familiar. Em uma sociedade desigual e corrompida, justiça, ética e moral não necessariamente determinam quem vence.
É justamente aí que o autor pretende provocar o leitor.
A proposta é fazê-lo duvidar de tudo e de todos, julgar constantemente os personagens, escolher de que lado está e, ainda assim, torcer por um final feliz, mesmo sabendo que aquele universo foi construído a partir de padrões que encontram paralelos na sociedade real.
“Ele”, portanto, parte de uma pergunta aparentemente simples — o que aconteceria se a humanidade vencesse a morte? — para construir outra muito mais perturbadora: o que acontece quando aqueles que acreditavam controlar a vida descobrem que também podem voltar a morrer?
Com sua mistura de ciência, geopolítica, suspense e horror, o livro chega à pré-venda apresentando uma distopia brasileira na qual a imortalidade pode não ser o fim do medo, mas apenas o começo de um novo pesadelo.
“Ele”, romance de 603 páginas, está atualmente em pré-venda (clique aqui para conferir).
Assista o booktrailer abaixo:



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