DICA: UM ASSUNTO, DOIS LIVROS: UM SCI-FI GRINGO E UM NACIONAL
Viagens no tempo, futuros cyberpunk, realidades distorcidas e mundos além das estrelas, autores estrangeiros e brasileiros mostram como um mesmo tema pode ganhar diferentes formas na ficção científica.
RESENHAS
Michael Douglas
8/20/20264 min read
E se você pudesse escolher dois livros de ficção científica para falar sobre um mesmo assunto — um estrangeiro e um brasileiro?
Essa é a proposta de hoje: colocar lado a lado obras de diferentes épocas, países e estilos para descobrir como a ficção científica pode imaginar a mesma questão de maneiras completamente diferentes.
VIAGEM NO TEMPO
A Máquina do Tempo — H. G. Wells
Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo — Fernando Couto de Magalhães
Começamos por um dos temas mais clássicos da ficção científica: a viagem no tempo.
Publicado originalmente em 1895, A Máquina do Tempo é um dos romances fundamentais do gênero e acompanha o Viajante do Tempo em sua jornada para um futuro distante, onde Wells transforma a viagem temporal em uma reflexão sobre a própria humanidade.
Mais de um século depois, Fernando Couto de Magalhães trabalha a ideia por outro caminho. Em Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo, pesquisadores investigam acontecimentos que envolvem animais pré-históricos e diferentes períodos da história da Terra. A aventura mistura ficção científica, paleontologia e mistério, explorando justamente as possibilidades e os perigos de romper os limites do espaço-tempo.
É interessante perceber como uma mesma ideia pode sair de uma Londres vitoriana e chegar a uma aventura brasileira envolvendo milhões de anos de evolução.
CYBERPUNK
Cyberpunk 2077: Nenhum Acaso — Rafał Kosik
Mihail — Eduardo Baka
Aqui o assunto é tecnologia — mas não aquela tecnologia limpa e maravilhosa dos futuros perfeitos.
Em Cyberpunk 2077: Nenhum Acaso, Rafał Kosik nos leva para Night City, uma cidade onde tecnologia, desigualdade, violência, cibermodificações e grandes corporações fazem parte da vida cotidiana. A história acompanha um grupo reunido para realizar um roubo aparentemente impossível, em uma trama que expande o universo de Cyberpunk 2077.
Já Mihail, de Eduardo Baka, também mergulha no cyberpunk, mas pela perspectiva de um autor brasileiro independente. A obra trabalha temas clássicos da ficção científica e apresenta uma visão própria desse futuro marcado pela tecnologia e por seus efeitos sobre o indivíduo.
Dois livros, duas perspectivas e uma mesma pergunta por trás do neon: até onde a tecnologia pode transformar aquilo que entendemos como humano?
REALIDADE ALTERNATIVA
Olho no Céu — Philip K. Dick
Piores Sonhos nos Melhores Dias — Pedro dos Santos
Philip K. Dick talvez seja um dos autores que melhor entenderam que, na ficção científica, nem sempre precisamos viajar para outro planeta para encontrar algo estranho.
Em Olho no Céu, publicado originalmente em 1957, um acidente em uma usina nuclear leva personagens a atravessarem diferentes realidades, cada uma moldada pelas crenças e percepções de quem a constrói. O resultado é uma história sobre identidade, preconceito e a própria natureza da realidade.
Do outro lado está Piores Sonhos nos Melhores Dias, de Pedro dos Santos, uma obra brasileira que também utiliza a estranheza e a distorção para explorar aquilo que existe por trás da realidade cotidiana. Conta a história de um pai amoroso que vive em uma realidade utópica, mas que quando dorme, assume o corpo de um prisioneiro em um hospital psiquiátrico em ruínas, em um passado distópico.
Porque talvez uma das perguntas mais interessantes da ficção científica seja justamente esta: e se aquilo que chamamos de realidade não for tão confiável quanto pensamos?
SPACE ÓPERA
Nova — Samuel R. Delany
Horizonte Limite — Rogério Pietro
Para fechar, vamos para o espaço.
Nova, de Samuel R. Delany, é um clássico publicado originalmente em 1968 e ambientado no século XXXII, em um universo no qual a humanidade já se espalhou por diversos mundos. A obra mistura aventura espacial, política, tecnologia, conflitos sociais e uma busca por um recurso essencial às viagens interestelares.
Delany foi muito além da aventura espacial tradicional. Nova também aborda raça, identidade, poder e desigualdade, ajudando a antecipar elementos que posteriormente seriam associados ao cyberpunk.
Já em Horizonte Limite, Rogério Pietro imagina uma humanidade que encontra sinais de uma civilização alienígena em uma cratera de Plutão. Para descobrir a origem desses sinais, um casal de astronautas é enviado em uma das mais longas viagens já realizadas pela humanidade.
Dois livros separados por décadas, mas unidos por uma pergunta que acompanha a ficção científica desde seus primeiros dias:
o que encontraremos quando finalmente conseguirmos chegar onde nunca estivemos?
No fim, essa é a graça da ficção científica. Não importa se a história foi escrita em Londres, Nova York ou no Brasil. Uma boa ideia pode atravessar décadas, idiomas e continentes — e continuar fazendo a mesma coisa:
nos fazer imaginar outros mundos para enxergar melhor o nosso.


























Contato
Somos apaixonados por ficção científica e gostamos de falar sobre ela de todas as formas possíveis. Com mais de 7 anos no ar no Instagram, e mais de 200 livros sobre o gênero lidos, estamos com a missão de propagar a ficção científica pelo planeta terra (e marte futuramente rs), além de fomentar a literatura da sci-fi nacional.
É um prazer ter você conosco nessa viagem espacial!
Email:
contato@umleitordescifi.com.br
© 2026. All rights reserved.
Quem somos nós?
Fale conosco para sugestões e parcerias
Comente essa publicação ou faça sua sugestão para melhorar o site:
@umleitordescifi
Instagram:
Receba no seu e-mail as novas publicações. Se inscreve.