Das Fantasias às Pulp Magazines: a origem da Ficção Científica

Da ficção científica à inteligência artificial, a fronteira entre máquina e humano começa a ficar cada vez mais difícil de definir.

REFLETINDO FICÇÃO CIENTÍFICA

Michael Douglas

8/26/20262 min read

O gênero fantasia foi um dos grandes precursores da ficção científica. Com o tempo, autores que escreviam fantasia passaram a incorporar conceitos científicos e estudos teóricos em suas narrativas, criando histórias baseadas no conhecimento disponível em suas épocas. Um exemplo clássico é Michael Crichton que, ao escrever Jurassic Park e trabalhar com conceitos como a clonagem de DNA, transformou uma ideia que poderia pertencer à fantasia em uma história de ficção científica. No início, porém, a linha entre os dois gêneros era bastante tênue, já que existia um elo histórico e estrutural entre eles que tornava difícil estabelecer uma classificação clara.

As Pulp Magazines e a difusão da ficção científica

No começo do século XX, surgiu um novo formato editorial que mudaria a história do gênero: as chamadas Pulp Magazines. O nome vinha do papel de baixa qualidade utilizado na impressão, produzido a partir de polpa de madeira. Nessas revistas, foram publicadas inúmeras histórias de fantasia, ficção científica e horror, vendidas a preços acessíveis e com grande circulação popular. Escritores que se tornariam fundamentais para a literatura, como Isaac Asimov, também se aventuraram nessas páginas, e a ficção científica acabou se tornando um dos gêneros mais associados a esse formato.

A Weird Tales Magazine, fundada em 1923, foi uma das primeiras publicações a ganhar destaque, reunindo histórias de fantasia, horror e ficção estranha. Pouco depois, surgiu a Amazing Stories Magazine, publicação criada especificamente para histórias de ficção científica e que ajudou a popularizar o gênero. Nela, apareceram textos de nomes como H.G. Wells, Jules Verne e Edgar Allan Poe. Suas capas exóticas e extravagantes também ajudaram a construir e consolidar o imaginário visual que até hoje associamos à ficção científica.

A Astounding Stories e a definição de um gênero

Entre todas as Pulp Magazines, uma merece destaque especial: a Astounding Stories Magazine. Seu editor, John W. Campbell, teve um papel fundamental na consolidação da ficção científica como um gênero próprio, incentivando histórias que combinavam imaginação com conceitos científicos e tecnológicos.

A revista reuniu autores fundamentais para a ficção científica, como Isaac Asimov, E. E. “Doc” Smith e Arthur C. Clarke, e se tornou uma das publicações mais importantes da chamada Era de Ouro da ficção científica. Seu legado atravessou décadas e permanece até hoje, agora sob o nome Analog Science Fiction and Fact.

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