Curitiba recebe mostra gratuita com clássicos que ajudaram a construir a ficção científica no cinema
Cinemateca de Curitiba exibe sete filmes que atravessam mais de três décadas de ficção científica, de A Guerra dos Mundos a A Mosca, com entrada gratuita.
NOTÍCIAS SCI-FI
Michael Douglas
10/4/20264 min read
É curioso pensar em como a ficção científica que consumimos hoje nasceu de histórias que, muitas vezes, parecem estar muito distantes daquilo que encontramos nas grandes produções atuais. Antes dos efeitos digitais, das enormes franquias e das imagens criadas por computador, o gênero já estava usando monstros, alienígenas, viagens espaciais, transformações do corpo e futuros distópicos para fazer uma coisa que a boa ficção científica sempre soube fazer muito bem: falar sobre o presente.
E quem estiver em Curitiba terá uma oportunidade interessante de revisitar parte dessa história. A Cinemateca de Curitiba recebe, gratuitamente, a mostra “Super Clássicos da Ficção Científica”, uma programação que reúne sete filmes lançados entre as décadas de 1950 e 1980.
A seleção começa com A Guerra dos Mundos, de 1953, adaptação do clássico de H. G. Wells sobre uma invasão alienígena à Terra. O filme será exibido no dia 2 de outubro, às 19h, e representa uma época em que a ameaça extraterrestre também carregava os medos de um mundo vivendo sob a tensão da Guerra Fria.
No dia seguinte, 3 de outubro, é a vez de Godzilla, de 1954. O monstro japonês se tornou uma das figuras mais reconhecíveis da cultura pop, mas sua origem está profundamente ligada ao trauma provocado pelas armas nucleares e à destruição deixada pela Segunda Guerra Mundial. É aquele tipo de obra que mostra como a ficção científica consegue transformar um medo muito real em uma criatura fantástica.
A programação continua no dia 4 de outubro com O Incrível Homem Que Encolheu, de 1957. Aqui, a ameaça não vem necessariamente de outro planeta. A própria transformação do protagonista coloca em discussão questões relacionadas à existência, ao corpo e à maneira como percebemos o mundo quando aquilo que consideramos normal deixa de existir.
Depois de uma pausa, a mostra retorna no dia 8 de outubro com Viagem Fantástica, de 1966, filme que leva seus personagens literalmente para dentro do corpo humano. A ideia parece absurda quando colocada dessa maneira, mas é justamente esse tipo de conceito que fez a ficção científica conquistar uma liberdade narrativa tão grande. O gênero pode pegar uma ideia impossível e perguntar: “e se?”.
No dia 9 de outubro, a sessão fica por conta de O Planeta dos Macacos, de 1968. Para quem conhece apenas as versões mais recentes, voltar ao filme original é também perceber como a ficção científica pode usar uma sociedade aparentemente estranha para falar sobre a nossa própria sociedade. O filme continua sendo lembrado justamente porque, por trás dos macacos inteligentes e daquele futuro distante, existe uma discussão bastante humana sobre poder, preconceito, ciência e destruição.
E então chegamos a um dos grandes filmes da história do gênero. No dia 10 de outubro, será exibido Blade Runner – O Caçador de Androides, de 1982. A obra dirigida por Ridley Scott ajudou a estabelecer uma das imagens mais marcantes do futuro no cinema, com sua cidade escura, tecnológica e decadente, além de levantar uma pergunta que continua extremamente atual: o que realmente significa ser humano?
Para fechar a programação, no dia 11 de outubro, será exibido A Mosca, de 1986. O filme de David Cronenberg parte de uma ideia aparentemente simples, mas transforma uma experiência de ficção científica em uma história sobre corpo, doença, envelhecimento, identidade e transformação. É um encerramento bastante adequado para uma mostra que percorre diferentes maneiras de imaginar aquilo que pode acontecer quando a ciência ultrapassa os limites que conhecemos.
O mais interessante nessa seleção é justamente perceber que esses filmes não ficaram no passado. Muitos dos conceitos apresentados décadas atrás continuam aparecendo na ficção científica contemporânea. O medo de uma inteligência diferente da humana, a relação entre ciência e destruição, a transformação do corpo, a possibilidade de outras formas de vida e a própria definição de humanidade continuam sendo assuntos recorrentes.
Para quem gosta de ficção científica, portanto, uma mostra como essa é mais do que uma sequência de filmes antigos. É uma oportunidade de voltar para algumas das raízes do gênero e perceber que muitas das perguntas que fazemos hoje já estavam sendo feitas por cineastas e escritores há décadas.
Todas as sessões acontecem às 19h, na Cinemateca de Curitiba, localizada na Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.174, no bairro São Francisco. A entrada é gratuita.
Programação
2 de outubro – 19h
A Guerra dos Mundos (1953)
3 de outubro – 19h
Godzilla (1954)
4 de outubro – 19h
O Incrível Homem Que Encolheu (1957)
8 de outubro – 19h
Viagem Fantástica (1966)
9 de outubro – 19h
O Planeta dos Macacos (1968)
10 de outubro – 19h
Blade Runner – O Caçador de Androides (1982)
11 de outubro – 19h
A Mosca (1986)
Local: Cinemateca de Curitiba, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1.174, São Francisco, Curitiba
Entrada: gratuita
Fonte: Bem Paraná


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