Corrida dos Bichos transforma o Brasil em uma distopia brutal — mas será que isso ainda é ficção científica?
Novo filme de Fernando Meirelles mistura violência, desigualdade e um Rio de Janeiro sem mar em uma das produções brasileiras mais ambiciosas dos últimos anos.
NOTÍCIAS SCI-FI
Michael Douglas
5/28/20262 min read
O cinema brasileiro parece finalmente disposto a brincar com futuros distópicos de verdade — e Corrida dos Bichos talvez seja o projeto mais ambicioso dessa nova fase. O novo filme de Fernando Meirelles estreou recentemente no SXSW e rapidamente começou a chamar atenção não só pelo elenco gigantesco, mas principalmente pela proposta: um Rio de Janeiro onde o mar desapareceu, a desigualdade virou espetáculo e pessoas participam de corridas mortais inspiradas no jogo do bicho para sobreviver.
A premissa é absurda da melhor maneira possível. Nesse futuro devastado, cada corredor representa um animal e precisa disputar provas violentas enquanto ricos apostam nas vidas deles como entretenimento. O detalhe mais cruel é que os participantes precisam colocar alguém que amam como garantia. Se perderem, essa pessoa desaparece. É uma ideia que lembra bastante Jogos Vorazes, O Sobrevivente e até reality shows levados ao limite máximo da barbárie social.
E honestamente? O mais interessante em Corrida dos Bichos talvez seja justamente a discussão sobre ele ser ou não “ficção científica”. Porque olhando friamente, o filme parece muito mais interessado em desigualdade, violência urbana e colapso social do que em tecnologia futurista. Não parece existir aquela estética clássica da sci-fi cheia de naves, robôs ou conceitos científicos complexos. É quase como se o filme pegasse o Brasil atual, aumentasse tudo em 30% e chamasse isso de amanhã. Ainda assim, é impossível negar: distopia ele é sem dúvida nenhuma.
Talvez seja exatamente por isso que tanta gente esteja curiosa. Nos comentários sobre o teaser e nas discussões online, muita gente elogiou justamente o fato do filme parecer “um cyberpunk brasileiro sem copiar Hollywood”. Outros compararam a mistura de parkour, violência e crítica social com Jogos Vorazes e Mad Max. (The Cinemen) Também chamou atenção a escala da produção, porque não é comum ver o cinema brasileiro apostando tão forte em mundos futuristas. Tem Rodrigo Santoro, Isis Valverde, Seu Jorge, Bruno Gagliasso e até Anitta em um projeto claramente pensado para ser grande.
No fim, independentemente do rótulo, é muito bom ver uma produção nacional tentando construir um futuro próprio ao invés de apenas reproduzir fórmulas estrangeiras. E se Corrida dos Bichos realmente entregar o que promete visualmente, pode acabar virando um marco curioso da ficção científica — ou pelo menos da distopia — feita no Brasil.
O filme tem previsão para sair ainda esse ano de 2026, pela PRIME VÍDEO.
Assista o trailer abaixo:





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