Cordélicos leva o cordel para o futuro em animação nacional que mistura cangaço, viagens no tempo e ficção científica
O futuro encontra o cordel em uma animação que transforma o sertão nordestino no palco de uma aventura épica através do tempo.
NOTÍCIAS SCI-FI
Michael Douglas
6/5/20263 min read
A ficção científica brasileira ganha um reforço de peso nesta semana com a estreia de Cordélicos: A Origem do Cabra da Peste, animação que chega aos cinemas em 4 de junho apostando em uma combinação rara e fascinante: literatura de cordel, cultura nordestina, cangaço e viagens temporais.
Dirigido e roteirizado por Ale McHaddo, o longa é a evolução de um projeto que começou em 2007 como curta-metragem, conquistou público suficiente para se transformar em série e agora alcança sua versão mais ambiciosa nas telonas.
Em um cenário onde a ficção científica costuma olhar para metrópoles futuristas, naves espaciais e sociedades tecnológicas, Cordélicos segue por um caminho diferente. A produção encontra no sertão brasileiro uma fonte rica para criar uma aventura que dialoga tanto com a tradição popular quanto com conceitos clássicos do gênero.
A própria diretora explica que sua paixão pela cultura nordestina foi fundamental para a construção da obra. Embora seja paulista, McHaddo possui laços familiares com o Nordeste e mergulhou profundamente na literatura de cordel ao longo dos anos. A expectativa é uma produção que não utiliza a cultura nordestina apenas como cenário, mas como elemento central de sua identidade narrativa.
Visualmente, o filme também passou por uma longa evolução. A ideia inicial era criar uma animação em preto e branco inspirada diretamente nas xilogravuras dos folhetos de cordel. No entanto, a equipe optou por uma abordagem mais colorida e acessível para alcançar um público mais amplo sem abandonar as referências culturais originais.
O resultado é uma estética que combina elementos tradicionais brasileiros com influências da cultura pop internacional. Segundo McHaddo, obras como Star Wars e He-Man ajudaram a moldar sua imaginação, mas o objetivo sempre foi reinterpretar essas inspirações sob uma ótica genuinamente nacional.
Essa fusão é justamente o que torna Cordélicos uma proposta tão interessante para os fãs de ficção científica. Em vez de reproduzir modelos estrangeiros, o filme utiliza conceitos familiares do gênero, como perseguições, aventuras épicas e distorções temporais, para contar uma história profundamente enraizada na cultura brasileira.
O elenco de vozes reforça essa proposta. Bruno Garcia interpreta o Capitão Rocha, personagem envolvido em perseguições e eventos ligados às dobras do tempo. Para o ator, participar de uma animação nacional permitiu um nível de liberdade criativa raramente encontrado em produções internacionais.
Já o ator cearense Tadeu Mello destacou a importância de poder utilizar seu sotaque e suas referências culturais sem restrições. O artista relembrou que, no início da carreira, ouviu diversas vezes que deveria neutralizar sua forma de falar para ampliar oportunidades profissionais. Em Cordélicos, encontrou justamente o contrário: uma celebração da identidade regional.
Além do entretenimento, a equipe também vê a animação como uma ferramenta cultural importante. Para os atores, apresentar heróis inspirados pelo universo do cordel e do cangaço ajuda crianças e jovens a reconhecerem elementos da própria cultura em produções de grande alcance, fortalecendo o senso de identidade e pertencimento.
Para o público de ficção científica, Cordélicos representa algo ainda mais significativo. O filme pode demonstrar que o gênero pode dialogar com tradições locais sem perder seu potencial imaginativo. Ao transformar o sertão em palco para aventuras que envolvem viagens temporais e elementos fantásticos, a animação deve ampliar os horizontes da sci-fi nacional e mostra que o futuro também pode ser contado em versos de cordel.
Com estreia marcada para 4 de junho, Cordélicos: A Origem do Cabra da Peste surge como uma das produções mais originais da animação brasileira recente, provando que a ficção científica pode encontrar novos caminhos quando olha para as próprias raízes culturais.
Fontes: Social1, entrevistas com Ale McHaddo, Bruno Garcia e Tadeu Mello, Retrato Filmes, Prime Video.
Assista o trailer abaixo:

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