Controle Impossível: Um Leitor de Sci-fi conversa com autor Fábio Davanzo sobre seu novo livro
Em entrevista ao Um Leitor de Sci-fi, autor conta como sua experiência com processos, o interesse por inteligência artificial e uma demissão deram origem ao livro, que ainda será lançado
NOTÍCIAS SCI-FI
Michael Douglas
9/20/20263 min read
O que acontece quando uma pessoa deixa de ser considerada relevante por um sistema que continua funcionando normalmente sem ela? Essa é a questão central de Controle Impossível, livro de ficção científica que ainda será lançado e acompanha Fábio, um especialista de processos que perde o emprego e, junto com ele, parte da estrutura que organizava sua vida.
Em entrevista ao Um Leitor de Sci-fi, o autor contou como a ideia do livro surgiu e como diferentes experiências profissionais e pessoais acabaram se encontrando na construção da história. Antes de saber exatamente sobre o que escreveria, ele já carregava há algum tempo a vontade de publicar um livro.
"Eu só não sabia sobre o quê."
A resposta começou a aparecer a partir de sua própria profissão. O autor trabalha com processos, qualidade, melhoria contínua e eficiência, atividades que envolvem encontrar causas, identificar gargalos, eliminar desperdícios, corrigir desvios e buscar melhores resultados.
Foi justamente nesse ambiente que surgiu uma inquietação: por que personagens com determinadas profissões são tão presentes na ficção, enquanto outras praticamente não aparecem?
O autor conta que sempre teve uma espécie de inveja dos profissionais que a ficção transformou em protagonistas. Arqueólogos, simbologistas, perfuradores de petróleo, boxeadores, bombeiros, astronautas e espiões já tiveram suas profissões colocadas no centro de histórias. Um especialista de processos, porém, não parecia ocupar o mesmo espaço.
Foi então que surgiu a possibilidade de transformar sua própria área profissional em elemento de uma história de ficção científica.
Fábio, protagonista de Controle Impossível, é um especialista de processos. Ele entende de eficiência, causas, variáveis, indicadores e sistemas. Sua maneira de observar o mundo foi formada pelo próprio trabalho que exerce, característica que permitiu ao autor levar para a narrativa conceitos e experiências que normalmente ficam restritos ao ambiente profissional.
Ao mesmo tempo, o autor vinha explorando as possibilidades das inteligências artificiais e pensando sobre o chamado efeito PIB zero. A questão era entender o que poderia acontecer quando o crescimento deixasse de ser suficiente para absorver continuamente pessoas, atividades e estruturas.
Mas foi uma experiência pessoal que deu outra dimensão à ideia.
O autor foi demitido de seu último emprego e, a partir dessa experiência, passou a enxergar de maneira mais concreta o que significava ser excluído de um sistema no qual acreditava. Durante anos, aquela estrutura havia organizado parte de sua vida. Depois da demissão, porém, ela simplesmente continuou funcionando sem ele.
Essa experiência acabou se conectando diretamente ao personagem que estava sendo construído.
Fábio seria alguém que conhece a lógica de um sistema por dentro. Um profissional acostumado a identificar falhas, compreender processos e analisar o funcionamento de estruturas passa, ele próprio, a experimentar o que significa deixar de fazer parte delas.
A partir dessa ruptura, Controle Impossível explora o que acontece quando uma pessoa deixa de ser reconhecida como parte relevante da operação de um sistema. Fábio perde o emprego e a estrutura que organizava sua vida, mas precisa continuar sobrevivendo sem ela.
Para o autor, colocar um especialista de processos no centro de uma ficção científica também permitiu aplicar conceitos de gestão de processos em outro contexto e incorporá-los à própria narrativa.
A ideia inicial acabou crescendo e se transformando em uma história dividida em três partes. Controle Impossível é a edição consolidada desse percurso, reunindo a proposta de levar para a ficção científica uma perspectiva profissional pouco explorada como ponto de partida para um protagonista.
O resultado é uma história que nasce do encontro entre a experiência de trabalho do autor, suas reflexões sobre sistemas, inteligência artificial e crescimento econômico e uma situação pessoal que mudou a maneira como ele enxergava a própria ideia.
O livro ainda não foi lançado. Até lá, a história de Fábio apresenta uma premissa simples em sua origem, mas que abre espaço para uma questão maior: o que acontece com uma pessoa quando o sistema do qual ela fazia parte continua funcionando perfeitamente depois que decide que ela já não é necessária?


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