Backrooms: Um Não-Lugar leva o horror liminar da internet para a ficção científica nos cinemas

Entre corredores infinitos e falhas na realidade, Backrooms: Um Não-Lugar transforma a creepypasta mais perturbadora da internet em uma experiência de horror sci-fi existencial.

NOTÍCIAS SCI-FI

Michael Douglas

5/31/20263 min read

Durante anos, muita gente tratou os “Backrooms” apenas como uma creepypasta da internet. Um meme estranho sobre corredores infinitos e salas amareladas iluminadas por luz fluorescente. Mas Backrooms: Um Não-Lugar, nova produção da A24 dirigida por Kane Parsons, mostra que o fenômeno vai muito além do horror viral: o filme transforma o conceito em uma experiência genuinamente sci-fi.

E talvez seja justamente isso que torna o longa tão inquietante.

A história parte de uma ideia simples, mas profundamente perturbadora: e se a realidade pudesse falhar? E se fosse possível atravessar acidentalmente os limites do nosso mundo e cair em um espaço escondido entre dimensões?

Esse conceito nasceu da ideia de “noclip”, termo popular nos videogames usado quando personagens atravessam paredes ou escapam dos limites programados do cenário. Nos Backrooms, essa lógica é aplicada ao mundo real. Pessoas simplesmente “saem” da realidade e acabam presas em um labirinto infinito de ambientes liminares — escritórios vazios, corredores sem saída e salas que parecem existir fora do espaço e do tempo.

É aí que o filme abraça completamente a ficção científica.

Ao contrário de histórias sobrenaturais tradicionais, Backrooms: Um Não-Lugar trabalha os Backrooms como uma anomalia dimensional. Na mitologia criada por Kane Parsons em sua série viral no YouTube, existe inclusive uma organização chamada Async Research Institute, responsável por experimentos envolvendo abertura de portais e exploração de dimensões paralelas.

O longa expande essa ideia ao acompanhar Clark (Chiwetel Ejiofor), proprietário de uma loja de móveis que encontra uma passagem escondida para esse “não-lugar” surreal. Fascinado pela descoberta, ele mergulha cada vez mais fundo no espaço labiríntico até desaparecer completamente. A partir disso, sua terapeuta Dra. Mary Kline (Renate Reinsve) inicia uma jornada desesperadora pelos corredores infinitos tentando encontrá-lo.

Mas o verdadeiro antagonista do filme não é necessariamente uma criatura.

É o próprio espaço.

Os Backrooms funcionam como uma espécie de erro arquitetônico da realidade. Um ambiente que desafia lógica, direção e percepção temporal. Corredores se repetem sem explicação. Ambientes mudam de lugar. O tempo parece desacelerar. Não existe sensação de orientação ou segurança.

Essa abordagem aproxima o longa muito mais da tradição clássica da ficção científica existencial do que do terror convencional.

As influências ficam claras. Existe o horror cósmico e científico de Enigma do Horizonte, a paranoia espacial de Cubo e o desconforto dimensional de Aniquilação. Também há ecos modernos de séries como Dark e Ruptura, que exploram identidade, percepção e realidades fragmentadas.

Visualmente, o filme aposta pesado na estética dos chamados “espaços liminares”, ambientes de transição que provocam uma sensação estranha de nostalgia e desconforto. São lugares familiares, mas vazios. Reconhecíveis, mas errados. O resultado é uma atmosfera hipnótica que transforma arquitetura e silêncio em ferramentas de tensão.

Kane Parsons, que começou sua carreira publicando vídeos independentes no YouTube ainda adolescente, consegue preservar a essência experimental que fez os Backrooms viralizarem online. Em vez de explicar demais sua mitologia, o diretor prefere manter o mistério como parte da experiência.

                                                      Série para o YouTube produzida por Kane Parsons.

E funciona.

Porque Backrooms: Um Não-Lugar entende que o medo contemporâneo não nasce apenas de monstros escondidos na escuridão. Ele nasce da sensação de que a própria realidade pode estar quebrada.

No fim das contas, o filme utiliza o horror como linguagem, mas sua espinha dorsal é pura ficção científica: dimensões paralelas, falhas no espaço-tempo e a ideia perturbadora de que existem lugares invisíveis escondidos entre as estruturas do nosso mundo.

Talvez seja exatamente isso que faça os Backrooms parecerem tão assustadoramente possíveis.

Confira o trailer do longa que está sendo exibido nos cinemas:

Contato

Somos apaixonados por ficção científica e gostamos de falar sobre ela de todas as formas possíveis. Com mais de 7 anos no ar no Instagram, e mais de 200 livros sobre o gênero lidos, estamos com a missão de propagar a ficção científica pelo planeta terra (e marte futuramente rs), além de fomentar a literatura da sci-fi nacional.

É um prazer ter você conosco nessa viagem espacial!

Email:

contato@umleitordescifi.com.br

© 2026. All rights reserved.

Quem somos nós?

Fale conosco para sugestões e parcerias

Comente essa publicação ou faça sua sugestão para melhorar o site:

@umleitordescifi

Instagram:

Receba no seu e-mail as novas publicações. Se inscreve.