A Revolução Dos Bichos pode parecer uma fábula, mas pode ser um abrir de olhos
Por trás da aparência de uma simples fábula com animais falantes, George Orwell constrói uma crítica sobre poder, manipulação e a facilidade com que abrimos mão do pensamento próprio.
REFLETINDO FICÇÃO CIENTÍFICA
Michael Douglas
10/1/20263 min read
Quando abrimos esse clássico da literatura, temos a impressão de estar frente a uma fábula, uma historinha de crianças onde os animais falam, o porco come, o cavalo relincha e o gato é manhoso. Porém, se formos analisar essa obra com um olhar de adulto, mais crítico social, percebemos que essa trama é uma grande crítica ao próprio ser humano, e em como é fácil os grandes governos manipularem a população.
Na trama, os bichos da fazenda do Sr. Jones trabalhavam incansavelmente, enquanto todo o lucro, regalia e descanso eram ofertados para os humanos da fazenda. Até que os bichos decidem que está na hora de uma revolução. Chega de escravidão! Eles iriam tomar a fazenda, produzir e viver por conta própria.
E isso aconteceu.
Orientados e incitados pelos porcos do celeiro, ditos os animais mais inteligentes da fazenda, os animais levantam uma grande revolução contra os humanos daquele sítio, conseguindo assim a tão sonhada liberdade.
Mas a liberdade tem um preço. A liberdade, para eles, significaria pensar por conta própria. E só esse tópico já justifica o livro inteiro.
Quando os animais começam a se organizar para uma vida sem humanos, os porcos tomam a dianteira e começam a dividir obrigações entre os animais. E eles, como bons pensadores, trabalhavam com a gestão, e não com os músculos, que pouco tinham.
O que vemos aqui é uma dinâmica de corrupção e de ''troca de dono'' que esses animais sofreram.
Uma vez que Napoleão, o porco mais influente dos animais, começa a ditar regras, estatutos e leis, o poder começa a subir para seu ego, e ele passa a pensar mais em si próprio do que na comunidade. E isso é feito pelo autor de uma forma sublime.
Napoleão não bate a pata no palanque e decreta que ele mandaria, pelo menos não no começo. A trama vai criando uma atmosfera de alienação entre os animais, que, quando percebem, estão concordando com qualquer absurdo imposto pelo porco mandante, porque, afinal, ele sabe o que está fazendo.
E para que cansar a mente quando existe alguém pensando por nós, não é mesmo?
Os animais antes seguiam as regras encabrestadas do Sr. Jones, o humano, e agora seguem as ordens de Napoleão, o porco.
Quando eles ficam finalmente sem a influência humana, e ainda no começo, sem a influência ditatorial de Napoleão, os animais se enxergam em conflito, uma vez que agora eles têm tempo para pensar, tempo para escolher o que querem fazer, e isso mexe com eles.
Molly, a égua, só quer usar suas fitinhas humanas no cabelo. Boxer, o alazão, só pensa em trabalhar até seus músculos de aço estourarem, e as ovelhas só sabem repetir o jargão criado por Napoleão: ''4 patas sim, 2 patas não''.
Esse aspecto do livro representa muito bem a sociedade de hoje em dia. É um esforço enorme que um indivíduo pense por conta própria, aliás, existem tantas mentes pensando por eles, não é mesmo? E olha, eu nem estou falando de governo, o problema começa muito antes disso.
Com as redes sociais, viramos uma espécie de mente-colmeia. A trend do momento vira lei. A foto sem contexto vira fato e a ideia disseminada nos grupos de WhatsApp vira certeza em uma roda de conversa.
E você não pode discordar.
Esse livro, que tem poucas páginas e parece inocente, pode assustar, e muito, se você ler com os olhos mais abertos. Já conhece? Comente abaixo, quero saber sua opinião.


Contato
Somos apaixonados por ficção científica e gostamos de falar sobre ela de todas as formas possíveis. Com mais de 7 anos no ar no Instagram, e mais de 200 livros sobre o gênero lidos, estamos com a missão de propagar a ficção científica pelo planeta terra (e marte futuramente rs), além de fomentar a literatura da sci-fi nacional.
É um prazer ter você conosco nessa viagem espacial!
Email:
contato@umleitordescifi.com.br
© 2026. All rights reserved.
Quem somos nós?
Fale conosco para sugestões e parcerias
Faça sua sugestão para melhorar o site:
@umleitordescifi
Instagram:
Receba no seu e-mail as novas publicações. Se inscreve.

