A máquina do tempo - HG WELLS

Vamos viajar no tempo da nossa própria história?

RESENHAS LITERÁRIAS

5/9/20261 min read

A Máquina do Tempo – H.G. Wells

A curiosidade sobre o futuro é uma das marcas mais profundas da humanidade. O que virá? Como será a sociedade futura? Essas questões rondam nossa mente incansavelmente, e foi justamente esse inquietante fascínio que H.G. Wells transformou em literatura, em 1895, com seu primeiro romance.

Não bastasse a façanha de estrear com uma obra de tamanha envergadura, Wells ainda cunhou, nesse livro, o próprio termo viagem no tempo, um conceito que moldaria décadas de ficção científica.

A história acompanha um cientista que parte do século XIX rumo ao ano 802.701. Uma data tão distante que beira o absurdo, e é justamente esse estranhamento que torna a leitura ainda mais poderosa.

Para quem já leu outros títulos sobre viagem no tempo, o conselho é simples: esqueça-os por um momento. Não porque A Máquina do Tempo anule as obras que vieram depois, mas porque ela exige e merece uma abertura de mente singular. É uma experiência de leitura à parte.

Na narrativa, o cientista retorna de sua jornada pelo futuro e reúne jornalistas, editores e outros cientistas para relatar o que viveu. O que ele encontrou no ano 802.701 é perturbador: a humanidade havia se tornado o subproduto de uma desigualdade social levada ao extremo.

Aqueles que sempre viveram sem dificuldades, sustentados pelo trabalho alheio, foram gradualmente perdendo suas defesas, sua maturidade e sua coragem, originando os Eloi, seres frágeis e aterrorizados pela escuridão. No escuro, viviam os Morlocks: criaturas selvagens, resultado direto de uma sociedade historicamente explorada, massacrada e empobrecida em nome do conforto dos mais privilegiados.

Wells constrói, com um cenário futurista e imaginativo, uma aula sobre humanidade, desigualdade e reflexão pessoal. A Máquina do Tempo é a prova de que a ficção científica, em seu melhor momento, não fala sobre o futuro, fala sobre nós.

Nunca subestime o poder de uma boa ficção para nos ensinar algo essencial.