A especiaria que move minhas manhãs

O que o café tem de especial, quando é associado a uma boa leitura? Confira!

HENRIQUE SANCHES

9/17/20262 min read

Eu tenho um problema.
Talvez alguns de vocês já tenham percebido. Outros, provavelmente, já estejam cansados dele.
Eu gosto de café.
É sério. Simplesmente GOSTO de café.
Muito.


Tanto que existe uma boa chance de você já ter recebido uma foto de uma xícara de café minha em algum grupo de WhatsApp. Ou no Instagram. Ou em algum outro lugar onde eu tenha conseguido encaixar uma foto de café sem ser imediatamente expulso.


É quase um ritual.
Acordo. Café.
Começo a trabalhar. Café.
Vou ler. Café.
Termino um livro. Café.
Tenho uma ideia. Café.
Tenho uma ideia ruim. Café.
Tenho uma ideia que pode ser boa, mas ainda não sei. Café.
Já posso parar, não é? Vocês entenderam a ideia...


Talvez o café não resolva todos os problemas da humanidade. Mas, sinceramente, ele tem sido bastante útil por aqui.
E talvez seja justamente por isso que eu tenha tanta simpatia por uma determinada especiaria do universo de Duna.


A especiaria
Para quem conhece a obra de Frank Herbert, a melange é muito mais do que um tempero.
É a substância que movimenta boa parte daquele universo. Ela prolonga a vida, amplia capacidades e está ligada à presciência, a possibilidade de enxergar diferentes caminhos do futuro.
Sem a especiaria, o universo de Duna simplesmente não funcionaria da mesma maneira.


Eu não tenho pretensão nenhuma de dizer que meu café possui propriedades semelhantes.
Mas gosto de imaginar que existe uma pequena relação entre as duas coisas.
Porque, para mim, café também é uma espécie de combustível para viajar.
Não necessariamente para Arrakis.
Para dentro dos livros.


Café e leitura

Existe algo muito particular em começar uma leitura com uma xícara de café ao lado.
O café marca o começo.
Você se senta, abre o livro ou o e-book, sente o cheiro da bebida e, de repente, está em outro lugar.
Pode ser uma nave atravessando o espaço.
Uma cidade cyberpunk.
Uma colônia em Marte.
Uma Terra devastada.
Uma sociedade que ainda nem existe.
Ou simplesmente uma biblioteca em algum lugar do nosso próprio mundo.
A xícara continua na mesa.
Mas a cabeça já foi embora.


Talvez seja essa uma das coisas que mais gosto na ficção científica: ela consegue nos tirar daqui sem necessariamente nos afastar daqui.
Enquanto leio sobre outros mundos, continuo pensando no nosso.
E, entre uma página e outra, tomo mais um gole de café.


A foto do café
Então, se você participa de algum grupo comigo e recebe uma foto de uma xícara de café às sete e meia da manhã, não se preocupe.
Não é spam.
É documentação científica.
Estou apenas registrando o início de mais uma jornada.
E talvez eu esteja tentando convencer vocês de que existe uma conexão muito séria entre café, livros e ficção científica.
Ainda não tenho evidências científicas suficientes.
Mas tenho muitas fotos.
E isso precisa valer alguma coisa.


No fim das contas, talvez meu café não seja exatamente a melange de Arrakis.
Mas existe uma coisa que os dois têm em comum:
ambos me ajudam a imaginar outros mundos.
A diferença é que a minha especiaria vem em uma xícara.
E o meu veículo espacial costuma ter algumas centenas de páginas.
Agora, se me dão licença...
Estou terminando este texto e já está na hora de passar outro café.
Fim da transmissão.

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